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Como precificar a diária de filmagem sem trabalhar no prejuízo

Equipe UseKlaket · Atualizado em agosto de 2026 · Leitura de 6 min

A pergunta mais comum de quem está começando uma produtora — e a que mais gera prejuízo silencioso em quem já produz há anos — é a mesma: quanto cobrar por uma diária de filmagem? A resposta errada costuma vir de dois lugares: copiar o preço do concorrente ou chutar um valor "que o mercado aceita". Nos dois casos, a conta que falta é a sua.

O que compõe o preço de uma diária

Uma diária vendida precisa cobrir quatro camadas, nesta ordem: os custos diretos daquele set, uma fatia dos seus custos fixos mensais, os impostos sobre a nota e, só então, a sua margem de lucro. Quem pula alguma camada não está dando desconto — está pagando para trabalhar.

Custos diretos são tudo que só existe porque o job existe: cachês de equipe (direção, foto, som, assistência), aluguel ou depreciação de equipamento, transporte, alimentação do set, locação. A regra de ouro: se você contrataria a si mesmo como freela nesse set, seu próprio cachê entra aqui também — o lucro da produtora é outra linha, não o seu salário disfarçado.

Custos fixos existem com ou sem job: aluguel da sala, contador, softwares, seguro de equipamento, internet, pró-labore. A forma correta de embuti-los é o rateio: some seus custos fixos do mês e divida pelo número de diárias que você realmente vende — não pelas que gostaria de vender.

Fórmula do rateio: custos fixos mensais ÷ diárias vendidas por mês = custo fixo por diária.

Exemplo: R$ 8.000 de custos fixos ÷ 6 diárias vendidas no mês = R$ 1.333 por diária só para a produtora existir.

Exemplo completo, com números

Uma diária de filmagem de um institucional, equipe enxuta:

Cachês (diretor/operador + assistente + som): R$ 2.900. Equipamento próprio (depreciação + desgaste): R$ 600. Transporte e alimentação: R$ 400. Custo direto: R$ 3.900. Somando o rateio de fixos (R$ 1.333), o custo real da diária é R$ 5.233.

Sobre isso entram impostos — no Simples Nacional, tipicamente entre 6% e 15,5% conforme a faixa — e a margem da produtora, que no audiovisual saudável fica entre 20% e 35%. Com 25% de margem e ~8% de imposto, essa diária vai a mercado por cerca de R$ 7.100. Se você estava cobrando R$ 4.500 por uma diária assim, agora sabe para onde o dinheiro estava indo.

Os quatro erros que mais corroem o lucro

1. Esquecer a pré e a pós. A diária de set é a parte visível; reunião de briefing, decupagem, direção de arte, edição, cor e rodadas de alteração são horas reais que precisam estar no orçamento — como itens próprios ou embutidas no preço.

2. Não definir a hora extra antes. Diária de 10h com hora extra a 1/10 da diária + 50% é o padrão de mercado. Combinar depois que estourou é combinar em desvantagem.

3. Ignorar a contingência. Chuva, equipamento que falha, locação que cai. Uma linha de 5% a 10% de contingência não é gordura — é estatística.

4. Confundir faturamento com lucro. Sem saber o custo real de cada job fechado, todo mês bom no caixa pode esconder jobs deficitários. A métrica que importa é o lucro por job, não o total faturado.

Transformando a conta em rotina

Nada disso funciona feito uma vez só. O preço da diária muda quando seus custos fixos mudam, quando a equipe encarece, quando você compra equipamento. O caminho é ter a conta viva: uma calculadora de precificação com seus números reais, uma planilha de custo por job e o lucro de cada projeto calculado automaticamente — assim a próxima proposta já sai com a margem certa, sem refazer a matemática do zero.

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